domingo, 6 de abril de 2008

Auto-citação:

Tornei-me viúvo de minha própria dor.






(E mais hipócrita ainda.)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Oh, pedaço de mim...


Confesso não saber como começar ou como terminar esse post... Acho que tudo se resume a uma simples palavra: nostalgia. A falta aguda que sinto daqueles momentos únicos e inesquecíveis, a saudade que sinto de todos os sorrisos e de todas as promessas que fizemos. Sinto a eternidade contida em cada coisa finita que me fizeram sentir, sinto o fim da eternidade física que então nos propúnhamos em manter: mas também sinto a eternidade absoluta daquela atmosfera, dessa atmosfera, desta atmosfera, da nossa atmosfera. Não a mundana e poluída, mas a interior, a atômica, a transcendental, o infinito elétrico e magnético da nossa união. Dói, mas configura-se uma dor quase etérea, posto que não é empírica e nem insuportável. É a dor da vida, da qual nem todos toma consciência, mas da qual todo ser humano dotado de sensibilidade é capaz de sentir. É dessa dor que falo, dessa dor que espero ser tão eterna quanto seus risos, tão verdadeira quanto suas lágrimas e tão importante quanto suas vidas.

Tipo assim... Eu amo vocês.

PS. Tá faltando gente, mas nem é a imagem que interessa.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Disorder

What means to you, what means to me -
and we will meet again
I'm watching you, I watch it all
I take no pity from friends
Who is right and who can tell,
and who gives a damn right now
Until the spirit, new sensation takes hold -
then you know
I've got the spirit, but lose the feeling
I've got the spirit, but lose the feeling
(Joy Division)


Por que você tem essa tendência de se esconder atrás de muros de oxigênio? Ainda que toda a felicidade de um momento se comprima em um segundo e você a absorva para dentro de si, ela fica ali: um pouco abaixo da pele, sem o comprometimento da carne, as dores dos ossos e as explosões do sangue dentro de suas veias. Sua essência parece inatingível, envolta por uma camada de chumbo - ela adquire o aspecto da superfície e é cinza, é pesada, é fria, como naqueles dias em que tudo parece errado e fora do lugar.

(lugar?)

Esses são seus muros. Feche seus olhos e tente localizá-los; tente encontrá-los, defini-los, demilitá-los. Não será capaz. Eles estão presentes ali, claro, mas você é que não se localiza dentro deles. Você é um objeto dentro de uma sala vazia, com nenhum móvel, e ainda assim não dá pra ser encontrato, pois não é pequeno, e tampouco grande; transcende os limites da matéria sólida, transcente os conceitos de algo existente e apalpável. Talvez não seja sequer abstrato, ao passo que transcende qualquer conceito, inclusive esse.

domingo, 6 de janeiro de 2008

where?

"E onde está você agora
Além de aqui, dentro de mim?"

Não que eu goste do Renato, mas...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

little middle nothing

Era uma pequena e pacata cidade no meio do nada. Era uma cidade pequena no meio do nada pacato. Era uma meia cidade pacata e nada pequena. Era uma pequena no meio da nada pacata cidade. Era uma meio pacata no nada da pequena cidade.

(Era um nada no meio da pacata e pequena cidade.)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

e você, que foi três almoços, uma pitada de simpatia, um olhar, cinco olhares e muita paranóia? você vive dentro de mim, você ilumina as coisas, você me faz um tanto mais vivo. um tanto de megalomania da minha parte seria admitir que eu me sinto potencialmente único na sua existência talvez triste e limitada - mais um desejo do que uma sensação, mas lá no fundo deve ser sensação. no fundo do quê? não sei. não sei se tenho fundo. bem, eu sei que toda a simpatia e o empenho em ter satisfeito um simples desejo meu era algo que você faria por qualquer outra pessoa naquele recinto, sem distinção. mas foi tal ato singelo e besta e dispensável e comum e simples demais que me fez pensar em certas coisas, e eu observo o seu jeito de olhar, sua estatura baixa, sua barba por fazer, seus cabelos claros, olhos claros e brilhantes e magneticamente tristes e... nem perguntar seu nome eu pude.

mas saber seu nome ou saber da sua vida anularia toda a mágica das edições desse fantástico episódio na minha vida. eu poderia tentar me aproximar, exprimir meu desejo, mas ou você não daria a mínima e me consideraria um doente mental, ou tudo se realizaria e os meus sentimentos virariam apenas tesão contido e mal satisfeito. isso esgotaria minha alma depois de um tempo, e o que acreditei ser eterno não mais seria. ficaria no campo das coisas findas da minha memória.

real, logo substituível.
platônico, logo eterno.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Das Aprendizagens e Necessidades

Um dia você aprende a andar sozinho, e que você não necessariamente se torna uma ilha por causa disso: mas há, sim, necessidade de saber andar sozinho, ainda que tendo companhia seja melhor, ainda que tendo apoio seja mais fácil, ainda que tendo amigos seja mais feliz; mas, de qualquer maneira, as pernas são suas.

Um dia você resolve que realmente precisa de E S P A Ç O, e é triste saber que muitas pessoas não interpretam isso bem, e é infeliz saber que os outros fazem má idéia disso, achando que você se tornou frio malvado maquiavélico egoísta matador de velhinhas canibal, e é aterrorizante saber que a opinião dos outros sobre seus atos não é assim tão boa, ainda que ninguém tenha coragem de te dizer isso abertamente.

Preciso de outras pessoas, sim, preciso de apoio, é claro, preciso de amigos, obviamente, preciso de um amor, sim, preciso, mas antes de tudo: preciso de espaço.

Preciso de mim mesmo.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

CLove!me

Aí eu penso nos anos do post anterior. 2003, 2004, 2005. 2006. Tempo demais. Perdido. Ou não. Compensa?

Vamos, 2007, traga algo de mais emocionante.

(E aí lembro-me de que estamos em julho e talvez seja tarde demais. E aí penso: deixa pro próximo ano. E até quando vou procrastinar isso? Não sei, realmente, e escrever nesse blog tem se tornado uma terapia, ainda que ninguém comente e seja tudo tão sem sentido algum. Anyway.)



"(...)

Seu pequeno mundo doce é podre até o miolo, eu não sabia que você tinha nascido sem alma. Eu tenho vozes gritando dentro da minha cabeça; você está batendo uma na sua cama? Isso não é punk, isso não é legal, tampouco é entediante, e não é o Eminem que vai me salvar.

É a vida real, eles tentaram roubar minha alma, e eu tenho pílulas porque sou famosa, tenho pílulas porque você está velho, tenho pílulas porque sou loira, tenho pílulas porque você está morto, tenho pílulas porque sou a pior e a mais bem vestida, tenho pílulas porque me sinto com mais de 21, tenho pílulas porque você não é o tal; (...) eu tenho pílulas porque você é gordo, e eu tenho pílulas porque estou entediada.

(...)"


Foi Courtney.
Mas poderia ter sido eu.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Once.

Um dia você me ensinou o que era vida, no outro você acabou com a vida das pessoas ao seu redor mas manteve a minha intacta, e no dia seguinte eu acabei com a sua. Admira-me muito que alguém tão sem expectativas e tão sem auto-estima e intrinsecamente medroso como eu tenha conseguido fazer tudo aquilo, mas eu fiz, eu não deixaria de fazer apenas para satisfazer seu desejo egoísta de conquistar mais um troféu para sempre. Fui sim perverso, fui mau, mas foi muito bom, foi a melhor coisa do mundo agora que sou mero expectador do passado, e acho sim que há algo de morbidamente diabolicamente egoisticamente feliz em ser mau algumas vezes na vida e, de qualquer maneira, você não merecia muito mais do que isso, não por mim, não por você, não por nós, mas por tudo e pela vida e pela existência. E na verdade nem eu merecia bondade e compreensão, aliás, alguém ali merecia?

E você, que em pouco tempo se tornou a pessoa mais importante da minha vida? Eu faria de tudo, simplesmente desejei fazer de tudo pra te ver feliz e bem, mas as pessoas mudam, o mundo se transforma e você me excluiu da sua vida com um simples botão de excluir. Machucou, fez ferida, uma dor pungente como dor de dente, mas você não sente nada, não é mesmo? Chorei como um bebê quando vi que a importância de tudo aquilo tinha se perdido, mas no fundo você era mais inteligente, no fundo você entendia que a vida não era feita só de lamentações e afetos sem sentidos e descrições desnecessárias e planos que serviriam apenas para se quebrar a cara e perceber que eram em vão e que a vida era muito mais complexa do que aquilo. Perdi, mas ganhei muito, ganhei horrores, tornei-me de certa forma a mais afortunada das pessoas, ainda que sofresse mais que muita delas. Ah, a veia dramática impossível de se conter...

E você, inverno gelado de um ano que nem me lembro, e que foi tão belo e tão compreensivo e tão cheio de vontade de preencher minha vida com sensações boas e momentos indescritíveis, ah, você, que joguei fora por um equívoco e voltei atrás por um equívoco ainda maior. Também aprendi que há muito mais do que confusões e que há muito a aprender quanto a uma coisa que se chama: controle. Não se tem durante a infância. Ainda não estava completamente preparado, ainda não dominava sequer um quarto de todo meu potencial impulsivo, por isso posso dizer que fui o mais tolo dos mortais, por tudo tudo. Nunca havia reparado nisso, mas sua inteligência emocional era bem maior que a minha, você me fez aprender sem nem notar que estava ensinando algo, e acho isso um fato mágico. Tudo foi do jeito que tinha que ser, pois no fundo sabia que não era feliz, não éramos felizes, nunca seríamos. Deixei você ir embora, não para sempre, mas deixei. O tempo passou, e me sinto completo, acho que você está completo, acho que a vida é tão vazia que completa a si mesmo sem exigências demais. Né?

É tudo tão passado e tudo tão presente, aliás, qual a diferença?

It's your life
It's your party
It's so awful.

domingo, 8 de julho de 2007

Tears.

e se as lágrimas fossem doces, gostaria eu mais de chorar ou cansaria eu de chorar tanto? não acho que elas devam ser sempre salgadas, e não gosto desse fixismo da minha vida, não gosto mesmo, desgosto bastante, não que seja um fato extraordinário mas isso tudo é muito infeliz, mas ainda bem que elas são salgadas, mas por que são amargas, por que não são azedas, por que tudo isso?

maybe this time it won't heal
maybe this time it will bleed until I'm free~